Ensaios de Aderência: O que mudou?

Celso Gnecco Sherwin Williams

Resumo

Os ensaios de aderência sempre foram polêmicos e geraram discussões.

O método de cortes na película era o mais utilizado, mas com a evolução das tintas e dos revestimentos de alta espessura, alta dureza e alta adesão, foi necessário desenvolver o método de aderência por tração (pull-off test), mais apropriado para testar estes produtos.

Isto não quer dizer que o método de corte na película não serve mais, mas que pode ser usado em tintas convencionais para verificar se a aderência é satisfatória ou não. É um método mais fácil de ser executado no campo, que envolve equipamentos mais simples e baratos. Basta um estilete, uma régua, um gabarito ou um transferidor e uma fita adesiva. Já o método de aderência por tração exige um equipamento de ensaio mais caro, que consiste de um dispositivo de tração, um pino ou dolly e um adesivo, geralmente epóxi. A execução do ensaio demanda um tempo maior, para colar os pinos e aguardar a cura do adesivo.

A norma ABNT NBR 11003 que vigorou de abril de 1990 a outubro de 2009, continha procedimentos que causavam interpretações conflituosas ou dúbias. O grupo CB-43 da ABNT/ABRACO, simplificou a norma e as definições foram aclaradas. Assim, o ângulo do dispositivo de corte foi fixado em 19º + 2º , a largura da lâmina foi aumentada para 17 mm a adesividade da fita foi aumentada para 55 gf/mm (mínimo). Foi eliminado o dispositivo de corte com espaçamento de 1 mm e o dispositivo B passou a ser o de 2 mm. As espessuras da película que determinam qual é o método a ser adotado mudaram, sendo que para espessuras menores que 70 micrometros o método B - corte em grade é indicado e para espessuras maiores ou igual a 70 micrometros o método A - corte em X é designado. Foi reduzido o tempo mínimo para a execução do ensaio após a aplicação da última demão de 10 dias para 7 dias, mais razoável. Os procedimentos permanecem os mesmos e os desenhos das tabelas com a classificação da aderência também continuam os mesmos. Na verdade o que aconteceu é que a norma se adaptou ao uso e não ao contrário, como acontece com a maioria das normas.

Quanto ao método de aderência por tração, não existia uma norma nacional e o método mais usado para este ensaio sempre foi o ASTM D 4541. A comissão CB-43 resolveu adotar esta norma como referência e fixar 3 dos seus 5 métodos, justamente os mais usados no Brasil. A norma brasileira ABNT que esteve em consulta nacional até 15 de março de 2010 inclui os seguintes métodos: método B (aparelho tipo II), método D (aparelho tipo IV) e método E (aparelho tipo V). Na norma brasileira os métodos são classificados pela forma de acionamento do Dispositivo que realiza o arrancamento do pino. Os acionamentos são: Manual, Pneumático e Hidráulico, respectivamente.

A norma de corte na película continua valendo e mais adaptada ao mercado de tintas anticorrosivas no Brasil. Finalmente agora temos uma norma brasileira de aderência por tração, e o que é melhor, em português.

Celso Gnecco

Engenheiro Químico formado em 1974 pela Escola Superior de Química Oswaldo Cruz em São Paulo/SP

Cursos de pós-graduação na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em Corrosão, Polímeros, Papel & Celulose e Refinação de Petróleo.

Ex-chefe do Laboratório de Pesquisas e Desenvolvimento de Tintas do IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas, onde trabalhou de 1969 à 1990.

Gerente de Treinamento Técnico da Sherwin-Williams-Unidade Sumaré, desde 1990.

Ex-Presidente da Comissão de Métodos de Ensaios em Tintas da ABNT

Professor da ABRACO - Associação Brasileira de Corrosão no Curso Inspetor de Pintura Nível I em São Paulo/IPT, desde 2007.

Professor da ABRAFATI – Associação Brasileira dos Fabricantes